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Cristovam Buarque “Agnelo Queiroz não consegue se explicar”, diz senador do PDT

“Agnelo Queiroz não consegue se explicar”, diz Cristovam Buarque

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção
Cristovam Buarque (PDT-DF), senador: “Continuam as suspeitas e às primeiras se acrescentam novas acusações contra o governador”

O senador Cristovam Buarque (PDT) defende rigor na investigação das denúncias que pesam sobre o governador Agnelo Queiroz (PT). Acusações que devem ser apuradas em todas as instâncias: do Ministério Público à Polícia Federal. “Da mesma forma que defendo uma ampla investigação no Ministério do Trabalho e que fiz no governo Arruda.” O senador é a favor da saída do ministro Carlos Lupi da pasta do Trabalho e do apoio do PDT ao governo federal sem a contrapartida de cargos.

Na avaliação de Cristovam Buarque, o governador do DF não conseguiu se explicar e todas as respostas às denúncias mantiveram a dúvida. “Continuam as suspeitas e às primeiras se acrescentam novas acusações, aumentando a crise.” Ao comparar o episódio de Agnelo com o do ex-governador José Roberto Arruda, o senador aponta a diferença entre os dois: Arruda foi acusado de dar propina; Agnelo de receber.

Diferente de Arruda, o governador conseguiu arquivar os pedidos de impeachment. “Os deputados, na época de Arruda, também queriam arquivar o pedido de impedimento e só não o fizeram porque o PT ocupou a Câmara Legislativa”, lembra o senador. Muitos dos petistas que ocuparam o parlamento para pedir o impeachment de Arruda hoje ocupam cargo no GDF.

Como a oposição a Agnelo não tem tradição na mobilização popular, “é conservadora”, observa Buarque; não há pressão sobre os deputados. “A mobilização popular é feita pelos partidos progressistas e eles não estão mobilizando”, observa.

O PSol, de acordo com seu presidente, Antônio Carlos de Andrade, conhecido como Toninho, começou, no fim de semana, a mobilizar a militância de forma descentralizada. A primeira reunião foi em Ceilânia, cidade satélite de Brasília. O partido, que foi o primeiro a pedir na Câmara uma investigação das denúncias que envolvem o governador do DF, pretende reunir forças para promover ações de rua. “Não importa se os fatos ocorreram há seis anos, as denúncias são graves”, afirma Toninho.  Na opinião do presidente do PSol, Agnelo Queiroz não tem condição moral e ética de permanecer no cargo.

Imagem ética do PDT, Reguffe é aposta do partido para 2014

Não é de graça que o PDT do DF faz tudo para se descolar do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. O PDT avalia que pode se beneficiar da situação de penúria do governador Agnelo Queiroz (PT) frente às denúncias que a cada dia se tornam mais indefensáveis. Basta que mantenha a bandeira da ética e, para isso, tem que manter distância de Carlos Lupi.

Não há no país um ente federativo mais ansioso por um governo ético que o Distrito Federal, que em sua história bem recente teve um governador preso, José Roberto Arruda, e a renúncia de um candidato a governador por receio da Lei da Ficha Limpa, Joaquim Roriz.

Político de imagem ética o PDT tem no DF: o deputado federal Antônio Reguffe. Na crise do Ministério do Trabalho, Reguffe se aliou a Miro Teixeira, que faz parte da banda ética do partido, e pediu o afastamento do ministro, contrariando a direção do partido.

Pesquisas mostram que Reguffe entrou no imaginário do eleitor como o deputado honesto, que devolve salário e não vive as expensas do poder público. Além disso, o deputado tem o apoio do senador Cristovam Buarque, um dos principais cabos eleitorais do DF, que inclusive ajudou a eleger Agnelo Queiroz e as afastou do governo antes das denúncias contra o governador virem à tona.  Reguffe surge como esperança de renovação política no DF.

Partidos querem mandato de volta

Três deputados distritais vão ter que defender seus mandatos na Justiça Eleitoral: Liliane Roriz, que trocou o PRTB pelo PSD; Wellington Luiz, que saiu do PSC e foi para o PPL; e Washington Mesquita, que deixou o PSDB pelo PSD. Os três se filiaram em partidos novos, o que é permitido pela legislação, mas os partidos de origem requereram o mandato deles na Justiça.

O PRTB alega que Liliane Roriz teria praticado infidelidade partidária com base na Resolução nº 22.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela qual a troca tem que ser justificada, e afirma que a parlamentar não aderiu ao ato fundacional do PSD.

Apesar de considerar legítima a reclamação do PRTB, Liliane Roriz diz que vai recorrer, uma vez que assinou o ato de fundação do PSD e só não comunicou ao PRTB o motivo de sua saída porque o partido não tem um escritório em Brasília. Ela alega também que o presidente nacional do PRTB, Levy Fidelix, por diversas vezes não “quis recebê-la” e que um advogado teve de levar a carta de desligamento da deputada ao PRTB de São Paulo.

Deputado Izalci Lucas faz auditoria em convênios do Ministério do Esporte

O deputado Izalci Lucas (PR) não ficou parado enquanto o Congresso Nacional blindava os suspeitos de desvio de dinheiro público por meio do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. A CPI proposta pela oposição não saiu e, provavelmente, nunca será aprovada, mas isso não impediu o deputado, que é auditor, de ir atrás dos contratos suspeitos. Dos 20 convênios solicitados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério do Esporte, recebeu 18 e, com base na análise dos documentos, cerca de 60 mil, ele diz que “dá para perceber que um volume grande de dinheiro foi desviado por meio do programa Segundo Tempo”.  

O deputado afirma que foi montado um esquema de desvio de dinheiro público dentro do ministério que era operado por uma quadrilha. “O programa liberava a primeira parcela para a ONG (organização não governamental) prestar o serviço, na primeira vistoria constatava que a prestação de serviço estava irregular e, mesmo assim, liberava a segunda parcela.” Izalci Lucas promete dar nomes aos bois e apontar todos envolvidos nos convênios irregulares. “Estou amarrando os dados e na segunda-feira (21), depois do grande expediente, vou apresentar um relatório aos deputados e encaminhá-lo à Justiça e ao Ministério Público.” Os contratos irregulares vêm da época em que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), era Ministro dos Esportes – de 203 a 2006 — e muitos dos atuais assessores e secretários de Agnelo trabalharam com o governador no Ministério do Esporte e são citados nas denúncias.

Continua o inferno astral do petista

A situação do governo Agnelo Queiroz (PT) se complicou na semana passada. A oposição conseguiu as assinaturas necessárias para protocolar recurso contra o arquivamento dos pedidos de impeachment do governador. Entraram com pedido de impeachment de Agnelo Queiroz na Câmara o DEM e o PSDB nacional, o presidente regional do DEM, Alberto Fraga, o presidente regional em exercício do PSDB, Raimundo Ribeiro, e o advogado Rogério Pereira.

No total, deram entrada na Casa cinco pedidos de impeachment contra o governador. Todos recusados. A deputada Liliane Roriz afirma que o presidente da Casa, Cabo Patrício, ao engavetar os processos, usurpou o papel que seria da Comissão de Constituição e Justiça da Casa.Assinaram o recurso contra o arquivamento dos pedidos de impedimento as deputados Liliane Roriz, Celina Leão, Eliana Pedrosa, todas do PSD, e o deputado Haad Massoud (DEM).

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a intimação de Agnelo Queiroz para depor no inquérito que apura denúncias de suposto desvio de verbas no Ministério do Esporte. No inquérito, Geraldo Nascimento Andrade diz ter presenciado a entrega ao ex-ministro, por um integrante do suposto esquema, de R$ 256 mil em dinheiro. 

 

Fonte: Jornal Opção/ Andréia Bahia

 
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