EM CRISE Secretário Alírio Neto se afasta por 30 dias do Governo
O secretário de Justiça Alírio Neto (PPS) pediu afastamento do governo por 30 dias. Ele decidiu se retirar após denúncias na imprensa de que teria recebido propina quando ocupava o mesmo cargo no governo Arruda. O secretário, que é deputado distrital, não voltará à Câmara Distrital, pelo menos por enquanto.
Alírio está sendo investigado pela Polícia Civil do DF e pela secretaria de Transparência. Segundo denúncias de Durval Barbosa, delator do Mensalão do DEM, o secretário receberia propina em contratos de empresas de informática. Em depoimento, Barbosa afirmou que Alírio receberia 40% do valor da “comissão” dos contratos do Na Hora, que é um serviço prestado a cargo da secretaria de Justiça (Sejus). A comissão era de 10% do valor total do contrato.
A assessoria de Alírio Neto divulgou nota afirmando que o secretário determinou instauração de sindicância para apurar os supostos fatos mencionados nos Termos de Declaração nº 001 de 19/04/2011 e 002 de 26/04/2011, prestados perante a Secretaria de Estado de Transparência e Controle do GDF, nos quais são citados órgãos da secretaria.
Ainda segundo o documento, o secretário pretende se afastar para “garantir isenção e transparência nas apurações. E, em segundo, evitar que fatos externos possam prejudicar a continuidade dos programas e projetos que o Secretário vem desenvolvendo à frente da Sejus”.
Alírio, que foi eleito deputado distrital em 2010, não voltará à CLDF e não receberá vencimentos da Sejus ou da Câmara enquanto estiver afastado. Em nota, o governador Agnelo Queiroz agradeceu a colaboração de Alírio no governo e disse que “aguardará a conclusão dos procedimentos instaurados na secretaria”.
Mais desgaste ao PPS
O afastamento de Alírio surge em um momento complicado para o seu partido. O diretório do PPS no Distrito Federal vem sofrendo pressão dos outros estados para deixar a base do governo Agnelo. O movimento vem sendo articulado nos bastidores por Raul Jungmann, presidente do PPS-PE.
Como publicado ontem com exclusividade pelo Alô Brasília, Jungmann teria, segundo fontes do partido, pretensões de sair candidato a governador do DF nas eleições de 2014. E por isso estaria exigindo a retirada do apoio do partido ao governo Agnelo, para enfraquecer seus correligionários.
Alírio Neto é um nome forte. Conseguiu ser secretário de Justiça em governos antagônicos, do DEM e do PT. E é um dos principais secretários de Agnelo, com cinco subsecretarias. A pergunta que fica é se Alírio, após 30 dias, retorna para a Sejus ou ficará na Câmara Legislativa do DF.
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