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8 assassinatos em menos de 12 horas Polícia vê ligação entre uso e tráfico de drogas com homicídios na Grande Goiânia

“Eu sei que é ele. Estou sentindo isso desde hoje  (ontem) cedo, quando soube da notícia.” Essa era a frase repetida pela mãe Rúbia Cristina de Moura Lima, de 37 anos, minutos antes de adentrar a sala de cadáveres do Instituto Médico-Legal (IML). Ela foi até lá para confirmar se o corpo do menor assassinado era mesmo o do filho. O adolescente P.M.L.A., de apenas 14 anos, era usuário de drogas desde os 11, vivia na rua, mesmo após diversas tentativas da mãe de mantê-lo em casa e teve um triste fim na noite de terça para quarta. Ele foi assassinado, numa tentativa de chacina, enquanto fumava crack com outros três amigos na Avenida Leste Oeste, em Campinas.

Um homem ainda não identificado desceu do veículo, abordou o grupo, por volta das 23 horas, e efetuou 12 disparos, com uma pistola 9 milímetros. Uma das vítimas, conhecido como Pezinho, também menor, morreu no local. P.M.L.A. foi levado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), não resistiu aos dois tiros no abdômen e morreu no início da manhã. Os outros dois atingidos, C.F.A., de 16 anos, e Rafael de Oliveira Costa, o único adulto, de 21 anos, permanecem internados. Estes seriam moradores de rua e as famílias não apareceram.
O fato contribuiu para tornar atípica a madrugada de ontem. Em menos de 12 horas, foram registrados oito assassinatos na região metropolitana. Sete foram só na capital e, em todos eles, conforme os registros da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), drogas constam entre as principais motivações do crime. “Foi um caso excepcional para meio da semana. Só tinha visto isso antes aos sábados e domingos”, demonstra o delegado adjunto da DIH, Ernane de Oliveira Cázer.
No caso do menor P.M.L.A., a mãe não tem dúvida ao afirmar que a vida que o filho vinha levando, com certeza, tenha motivado a morte. “A situação dele piorou muito nos últimos meses”, conta. Rúbia, que já chegou a tranca-lo em casa, amarrar correntes com cadeado no pé do garoto, procurá-lo madrugada afora pelas ruas, passar até um mês ser ter notícias por causa dos sumiços frequentes e até levar uma facada no braço por um dos amigos de P., é um exemplo emblemático de mães que tentam de tudo para livrar os filhos das drogas.
Centros de reabilitação
P. chegou a passar por alguns centros de reabilitação da capital, mas nada lhe fazia obedecer ao tratamento. Para conseguir dinheiro para comprar a droga, ele vendia balas e pirulitos, cuja origem é desconhecida pela família, nos semáforos. O garoto abandonou a escola e vivia sumindo de casa. Às vezes, aparecia por conta própria, mas quase sempre era levado de volta pelos profissionais do Conselho Tutelar da Vila Mutirão, bairro em que morava com a família na região noroeste. “Na primeira vez, antes de ser internado, subiu no telhado da casa para se esconder”, relata.
Tanto P. como Pezinho estavam sem os documentos. Os nomes de ambos foram revelados pelos dois amigos, que sobreviveram. Rúbia estava em casa, quando começou a receber visitas de amigos e vizinhos que diziam ter visto um garoto parecido com P. morto na televisão. A última vez que ele apareceu em casa foi no domingo. Desde então, a mãe não teve mais notícia do filho e não conseguiu sequer terminar de ver o noticiário da hora do almoço. Mobilizou a família e foi direto ao IML. 
Fonte: Jornal O Hoje

 

 
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