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ELEIÇÕES NO EGITO» Islamistas ameaçam cartunista brasileiro após divulgação de charge


 ( MIKHAIL VOSKRESENSKY/Reuters)
Uma mistura de desconhecimento e de maldade. O cartunista brasileiro Carlos Latuff qualificou dessa forma as manifestações de ódio e de revolta que vem recebendo desde que criou uma charge alusiva à vitória do Partido da Liberdade e Justiça (PLJ) no Egito. Fundada pela Irmandade Muçulmana, a facção consolidou a vitória no primeiro turno das eleições, com 36,6% dos 9,7 milhões de votos. De tendência salafista e linha-dura, o partido Al-Nour ficou com 24,4%. Para retratar o sucesso dos partidos muçulmanos %u2014 que juntos obtiveram 60% de apoio popular %u2014, Latuff desenhou uma espada com a palavra "slamistas" saindo de dentro de uma urna estilizada com a bandeira do país.

"Trata-se de uma charge que se refere objetivamente às eleições parlamentares no Egito. Diferentemente das outras charges que faço, de cunho ativista, esta tem uma proposta editorial", explicou Latuff ao Correio, por telefone.

"Ela diz respeito a notícias repercutidas pela imprensa mundial sobre o resultado das eleições, que daria ampla margem aos islamistas", acrescentou. Segundo o cartunista, a espada é um símbolo utilizado pela própria Irmandade Muçulmana. "Ao escrever na lâmina o termo 'islamistas', muitos muçulmanos entenderam isso como um ataque ao islã. Mas eu não tenho nenhum motivo para fazer críticas ao islã", disse o artista.

Morte

Latuff foi alvo de várias mensagens ofensivas. "Vá para o inferno, Carlos, é o seu fim", escreveu um muçulmano na página do cartunista, no microblog Twitter (@carloslatuff). Publicada no sábado, também no Twitter, a charge já teve mais de 11,5 mil visualizações. "Latuff deve morrer", afirmou outro egípcio, em meio a palavrões. O brasileiro admite que já aguardava esse tipo de reação. "O mundo islâmico tem recebido ataques do Ocidente, especialmente após as charges do profeta Maomé. É de se esperar que os muçulmanos, islamistas ou não, estejam na defensiva diante de uma charge", comentou. "No Twitter, quando você dá a cara a bater, está sujeito a receber ataques e ameaças dessa natureza", desabafou, ao considerar o incidente como "localizado" e "um mal-entendido com os muçulmanos egípcios". O segundo turno das eleições no Egito deve ser concluído hoje.

Fonte: Correio Braziliense/ Rodrigo Craveiro

 
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