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INSEGURANÇA » Crimes mais violentos não param de crescer e polícia culpa tráfico de drogas

Tráfico alimenta escalada de violência que aumenta no Distrito FederalLevantamento da Polícia Civil mostra que, até ontem, já houve um aumento de 29,2% no número de latrocínios e de 14,3% no de sequestros relâmpagos em relação aos 12 meses de 2010. Homicídios também cresceram: 3,4%


O avanço do tráfico e do consumo de drogas tem servido de combustível para aumentar crimes contra a vida no Distrito Federal. O ano não terminou e a quantidade de assassinatos superou em 3,4% todos os registros de 2010. Os latrocínios subiram 29,2% e o roubo com restrição de liberdade — conhecido como sequestro relâmpago — registrou acréscimo de 14,3% (veja quadro). Na noite da última quarta-feira, mais duas pessoas foram vítimas desse tipo de crime. Um bandido armado abordou um casal no estacionamento superior do Shopping Conjunto Nacional, área central de Brasília, e o obrigou a dirigir rumo à Estrutural. Entre janeiro e ontem, foram 655 casos como esse.

As vítimas, de 21 e 23 anos, esperavam por uma terceira pessoa quando Luiz Jésus Ferreira Cruz, 24, com um revólver calibre .38, anunciou o assalto, por volta das 22h. O bandido entrou no banco traseiro do carro, pediu dinheiro e mandou o motorista seguir para a Cidade Estrutural. Ao deixar o estacionamento, a vítima, que estava dirigindo, deixou o veículo apagar em frente ao Teatro Nacional. Ameaçado, o jovem ligou o automóvel novamente e continuou o percurso. O criminoso teria mantido a mulher sob a mira do revólver o tempo todo. “Ele queria dinheiro e falava para levá-lo logo para a Estrutural”, contou o jovem, que preferiu não se identificar.

Cerca de cinco minutos após a abordagem do criminoso, na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, o condutor viu três militares e jogou o carro na direção deles. De acordo com o sargento Ezequias da Silva Lima, do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), os policiais quase foram atropelados. “Para pedir ajuda, o motorista invadiu a calçada onde estávamos. A moça começou a gritar que eles estavam sendo vítimas de um roubo”, disse. “O Luiz chegou a apontar a arma em nossa direção, mas percebeu que estava sem saída e decidiu se render”, completou o sargento. A arma utilizada no crime foi apreendida no assoalho do veículo. A jovem ficou em estado de choque. O casal, morador do Entorno, pensa até em mudar de cidade.

No momento da prisão, agentes da Secretaria de Ordem Pública e Social (Seops) e da Agência de Fiscalização (Agefis) realizavam a Operação Presença, para coibir o comércio de ambulantes e camelôs nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto, e auxiliaram os PMs na ação. Luiz Jésus foi encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte) e autuado por roubo com restrição a liberdade da vítima e porte ilegal de arma de fogo.

Em Taguatinga, moradores ainda estão chocados com a morte de Nelza Maria de Faria Silva, 59 anos. Ela foi assassinada durante uma tentativa de assalto na última terça-feira. Na tarde de ontem, a família enterrou o corpo e, apreensiva, preferiu não dar entrevista (leia ao lado)

Prioridade
Para a direção da Polícia Civil, reduzir os casos de homicídios, de sequestros relâmpagos e prevenir e combater o uso e o tráfico de drogas são prioridades. Segundo o diretor-geral da corporação, Onofre de Moraes, boa parte desses crimes tem relação com as drogas. A análise do perfil das vítimas assassinadas, por exemplo, revela que muitas têm registro nos arquivos policiais por tráfico ou uso de entorpecentes, ou até mesmo homicídio motivado pela droga. “Temos ainda um problema sério. A sociedade apoia a morte do bandido. É um erro. Não podemos deixar isso influenciar os policiais. Atrás de uma pessoa morta, existe uma família que chora. As pessoas têm direito à vida, não importa quem sejam”, comenta.

Uma das armas da polícia para combater de forma eficiente os crimes na capital será a implantação, em todas as delegacias da cidade, do Projeto Polaris. É um programa de computador desenvolvido pela Polícia Civil que permite aos investigadores acesso, em tempo real, a todas as ocorrências, com informações detalhadas sobre o dia, a hora e o local dos fatos. Saberão os tipos de crimes mais comuns cometidos em uma cidade, em uma quadra e em uma determinada rua, por exemplo. “Se percebermos que determinado crime está aumentando na região, isso não será problema da delegacia da área. Vamos usar toda a estrutura disponível, principalmente o setor de inteligência.”

O aumento de veículos oficiais caracterizados nas ruas também deverá impactar positivamente na coibição de crimes. Segundo Onofre de Moraes, cerca de 80% da frota de 1,2 mil veículos rodavam sem identificação da corporação. A meta é identificar metade dos veículos, deixando apenas os de uso do serviço de inteligência descaracterizados. “Quem está lotado na administração também é policial. E a presença de viaturas nas ruas aumenta a sensação de segurança”, defendeu Moraes.



Povo Fala

 

Você já foi vítima de violência? Sente-se seguro?

Maykow Diniz
19 anos, estudante, morador de Samambaia

“Hoje em dia, o policiamento está muito fraco. A segurança foi corrompida por dinheiro e por falcatruas. Provavelmente, ninguém mais se sente seguro.”

Lenara Alves
16 anos, estudante, moradora de Valparaíso

“Já sofri uma tentativa de assalto perto da minha casa. O assaltante tentou levar meu celular. Tenho medo de que aconteça de novo, porque a sensação é horrível. Hoje, tomo muito cuidado, principalmente quando saio à noite.”

Evelly M. Martins
42 anos, microempresário, morador de Samambaia

“Tenho medo demais. Todo lugar em que a gente para tem bandido. Quando chego em casa, quando desço do carro, quando saio à noite, a qualquer hora. Quando meu filho chega tarde do colégio, tenho medo de que ele seja assaltado e seja até ferido.”

Andreia Costa
38 anos, pedagoga, moradora de Taguatinga

“Minha mãe já foi sequestrada há seis anos. Hoje, saio do banco olhando para os lados, porque a periculosidade em Taguatinga está muito alta. A gente não está imune a nada.” 

Fonte: Correio Braziliense/ Adriana Bernardes/ Kelly Almeida

 
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