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Reforma de Dilma se ajusta a ano eleitoral

Mudanças no ministério deverão ser efetivadas em banho-maria, coincidindo com saída de candidatos às eleições de 2012

A reforma ministerial que a presidente Dilma Rousseff planeja fazer no ano que vem não deverá ser “uma sangria desatadaâ€, na expressão que circula pelos gabinetes do Planalto. Também não tem data certa. Em banho-maria, pode ficar para março, de forma a coincidir com a substituição obrigatória dos que vão sair para disputar as eleições municipais.

Até a situação do ministro Fernando Haddad (Educação) é incerta. Candidato à Prefeitura de São Paulo, ele ouviu do PT municipal um apelo para que antecipe sua saída, de forma a ter mais tempo para preparar a campanha. O ministro conversou com Dilma, que, segundo o próprio Haddad, pediu que ele espere um pouco. De acordo com informações do PT paulistano, ainda não dá para dizer se Haddad será liberado antes ou se terá de esperar.
Antes das seguidas crises que derrubaram sete ministros – seis por suspeitas de envolvimento em irregularidades, como enriquecimento ilícito e corrupção – falava-se que a reforma ocorreria em janeiro, quando de fato a presidente teria sua própria equipe e não um misto herdado do padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas agora, no próprio núcleo que cerca a presidente, há dúvidas quanto à data. O que se fala é que a chefe nem mais comenta o assunto.
Disputas
O certo é que dos 38 ministros atuais, perto de dez deverão ser substituídos. Quatro porque pretendem disputar prefeituras em outubro: Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), a de Recife; Fernando Haddad, a de São Paulo; Iriny Lopes (Mulheres), a de Vitória; e Leônidas Cristino (Portos), a de Sobral. Este último pode ainda optar por ficar no ministério.
Outros cinco ministros deverão sair por motivos diversos, desde um possível fim do ministério a resolução de brigas internas em determinados setores. Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Luiza Bairros (Igualdade Racial) são candidatos a sair numa possível incorporação de suas pastas por outras. Ana de Hollanda (Cultura) para resolver brigas de tendências na área cultural, Mário Negromonte (Cidades) por causa de suspeitas de envolvimento em irregularidades, e Paulo Roberto Pinto (Trabalho), por estar na interinidade, apenas guardando o lugar do futuro titular.
O PMDB tem cinco ministros, considera-se sub-representado, mas não vai reclamar mais espaço. A cúpula do partido concluiu que com Dilma é inútil mostrar descontentamento quanto às nomeações. Desse modo, o partido prefere ficar “na moitaâ€, aguardando que a presidente se lembre, em algum momento, que nas gavetas do Gabinete Civil dorme uma lista com 48 nomes de indicados para cargos em estatais do setor de energia e de transportes.
A presidente Dilma embarcou ontem no fim da tarde, da base aérea de Buenos Aires com destino a Brasília, depois de participar como uma das convidadas de destaque da posse de Cristina Kirchner, que iniciou ontem seu segundo mandato de quatro anos como presidente da Argentina. 
Fonte: Jornal O Hoje/ Agência Estado
 
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