Polêmica Coronel Alberto Fraga (DEM) questiona poder do soldado João Dias
“O que todos querem saber é como um policial militar tem todo esse poder dentro do GDF?” O questionamento é de Alberto Fraga (DEM), coronel da reserva da Polícia Militar e conhecedor das normas rígidas da corporação. “É um absurdo, um exagero um soldado com esse poder todo.” Segundo ele, a corregedoria da PM não toma nenhuma atitude em relação ao policial João Dias porque o governador Agnelo Queiroz (PT) impede. “Nada é feito contra ele e isso deve ter alguma explicação.”
João Dias foi detido depois de invadir o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal. Ele teria ido ao palácio procurar o secretário de Governo, Paulo Tadeu, para devolver R$ 200 mil que teria recebido de emissários do governo. João Dias teria agredido um sargento da PM e uma funcionária de Paulo Tadeu.
O PM é o delator do esquema de corrupção no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, que levou à demissão do ex-ministro do Esporte Orlando Silva e sustenta a investigação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O governador do DF, Agnelo Queiroz, que antecedeu Orlando Silva no comando do Ministério do Esporte, também é acusado de se beneficiar de um esquema de corrupção na pasta e investigado pelo tribunal.
“Esse vai e vem do soldado tem de ser investigado. Ele, em seu blog, ameaça contar tudo, depois recua; procura o secretário mais importante do GDF e o agride. Ele está magoado com governo, está chateado. Mas o porquê é o que todos nós queremos saber”, observa Alberto Fraga, presidente do DEM do DF.
O dinheiro, segundo o advogado do policial, seria um “cala boca”. Será que João Dias considerou pouco os R$ 200 mil ofertados seja lá por quem para que calasse a boca? Segundo o advogado do PM, André Luiz Figueira Cardoso, João Dias teria registrado a entrega do dinheiro e o material já teria sido entregue à Polícia Civil. A pequena trégua que Agnelo Queiroz havia conseguido instalar nos últimos dias acabou com a invasão intempestiva de João Dias ao Palácio do Buriti.
Deputados gastam mais em show do que com educação
O movimento Adote um Distrital, que em janeiro do ano que vem completa um ano, estendeu a fiscalização que vem fazendo no Legislativo ao Executivo. O movimento, liderado por Diego Ramalho, começou analisando os contratos emergências do GDF, que até agora já consumiram R$ 650 milhões dos cofres do governo. No caso da Saúde, primeira pasta a ter seus contratos analisados, foram assinados R$ 350 milhões em contratos emergenciais, sendo R$ 180 milhões em contratos de limpeza e segurança. “São 36 contratos com grandes empresas que sempre são renovados sem licitação sob a alegação de calamidade pública”, afirma Diego Ramalho.
Em uma avaliação preliminar, ele afirma que não seria necessário dispensar a licitação para contratar empresa de segurança e limpeza para unidades de saúde, atividades meio. Segundo Diego Ramalho, os parlamentares, que têm o dever de fiscalizar a ação do Executivo, não sabiam desses contratos. “A Câmara é totalmente omissa em relação à fiscalização de contratos.”
Com base em levantamento feito pelo Adote um Distrital, os deputados gostam mesmo é de financiar eventos culturais, principalmente shows. Dos R$ 300 milhões das emendas parlamentares, mais de R$ 79 milhões foram destinadas ao setor cultural, enquanto a educação recebeu R$ 17 milhões, a saúde R$ 7 milhões, a segurança pública R$ 6 milhões e o transporte R$ 3,5 milhões. A área cultural só perdeu para a área de urbanismo, que contou com R$ 88 milhões em emendas parlamentares. Afinal, obras rende votos. “Vamos acompanhar de perto a ação do Executivo e Legislativo e chamar a sociedade para participar”, promete Diego Ramalho.
É impossível invadir o Palácio do Buriti, diz quem conhece a segurança
Em nota à imprensa, a Secretaria de Comunicação do GDF afirma que "a segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao prédio” e que o“Governo do Distrito Federal também vai apurar com que objetivos escusos o policial apareceu nesta tarde, de forma despropositada, no Palácio do Buriti".
Mas ninguém acredita nessa versão. “O governo está vendendo a tese de que o PM invadiu o Palácio do Buriti, mas isso é impossível”, afirma um político que já trabalhou no palácio e conhece bem o sistema de segurança do palácio.
Segundo ele, a segurança na sede do governo é bem rígida e João Dias só teria acesso se sua entrada fosse permitida. Além disso, ele subiu ao 10ª andar do palácio sem ser barrado. “O GDF quer desviar o foco. Ele foi autorizado a subir porque ninguém chega ao 10° andar sem ser impedido”, afirma o político.
Os deputados distritais foram pegos de surpresa com a notícia da prisão do soldado João Dias e as votações previstas para a quarta-feira foram suspensas. O presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício, pediu informações oficiais ao GDF sobre a invasão e o dinheiro que João dias teria jogado na mesa do secretário Paulo Tadeu.
Reforma tributária na pauta de reunião
O debate sobre a reforma tributária reuniu os governadores e secretários de Fazenda dos Estados do Centro-Oeste e Distrito Federal, Rondônia e Tocantins em Brasília na semana passada. O grupo quer construir uma pauta comum de interesses, além de discutir alternativas de desenvolvimento integrado para a região. Essa foi a quarta vez que o grupo se reúne desde o início do ano.
O governador Agnelo Queiroz, do DF, apresentou propostas para regularizar os benefícios fiscais em todas as unidades federadas e a harmonizar a tributação do comércio atacadista na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride/DF). O grupo, que defende maior participação dos Estados não produtores na divisão dos royalties do pré-sal, discutiu temas como os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em especial na região do Entorno; endividamento dos Estados, comércio eletrônico e Fundo de Participação dos Estados (FPE).
R$ 40 milhões para combate ao crack
Deputados do PSD na Câmara Legislativa destinaram R$ 40 milhões do orçamento previsto no Plano Plurianual 2012-2015 para a construção de unidades para execução de políticas de enfrentamento de drogas, especialmente do crack. O montante representa 100% dos recursos a que um bloco parlamentar tem direito em emendas. Os parlamentares esperam que o governo aplique R$ 10 milhões a cada ano para o enfrentamento da droga, que está tomando conta de Brasília, assim como de diversas cidades brasileiras.
A ação do PSD coincide com a do governo federal, que lançou na quarta-feira, 7, um plano nacional anticrack. Os investimentos de R$ 4 bilhões até 2014 serão usados em ações dos Ministérios da Saúde e da Justiça e o programa prevê a criação de consultórios de rua, centros de atendimento 24 horas e enfermarias especializadas para tratar de viciados em abstinência ou em intoxicação grave. Os deputados do PSD esperam que o GDF intensifique as ações do Estado nas ruas do DF.
A bancada do PSD na Câmara Legislativa é composta pelo deputado Washington Mesquita, presidente da Comissão de Educação e Saúde, e pelas deputadas Eliana Pedrosa, líder do PSD, Celina Leão, presidente da Comissão da Ética e Decoro Parlamentar, e Liliane Roriz, presidente da Comissão de Assuntos Sociais.
Fonte: Jornal Opção/ Andreia Bahia
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