Vigilante levanta suspeita de ação de deputado
Segundo a reportagem, deputado do Paraná foi operador do guardião no Espírito Santo, equipamento de escuta telefônica cujo uso de maneira ilegal provocou um escândalo nacional
Foto: Renato Araújo ABrFernando Franceschini pediu investigação de Agnelo
Foto: André ZimmererDeputado Vigilante contesta conduta de paranaense
O deputado distrital Chico Vigilante pediu uma questão de ordem na sessão de quinta-feira (15) para ler uma matéria publicada pelo jornal do Espírito Santo, Século Diário, no dia 22 de outubro de 2009 que trata de denúncia contra o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), delegado licenciado da Polícia Federal.
De acordo com a denúncia do jornal, intitulado “Tiroteio, sangue e violência na passagem do agente Fernando Francischini pelo ES”, o hoje deputado federal, no período em que ocupou o posto de subsecretário de Segurança Pública na primeira gestão Paulo Hartung (ex-governador do Espírito Santo pelo PSDB), notabilzou-se, segundo Vigilante, como operador do guardião, equipamento de escuta telefônica cujo uso de maneira ilegal provocou um escândalo de repercussão nacional, atingindo gravemente a liberdade de expressão.
O pronunciamento de Vigilante encontrou apoio em grande parte dos distritais na Casa. Raad Massouh (PPL) destacou que não faz sentido a intromissão de um parlamentar de outro estado se interferir nas questões políticas do Distrito Federal. “É errado. Um deputado do Paraná não pode dominar a pauta política do DF”, afirmou.
A declaração do parlamentar provocou uma reação da oposição, sobretudo da deputada Celina Leão, que saiu em defesa veemente do deputado federal do Paraná. Vigilante observou que não consegue compreender uma defesa tão ferrenha por parte da oposição na Casa. “Não consigo compreender porque esta defesa tão acalorada de um elemento deste, um operador da grampolândia”, enfatizou.
Tucano pede investigação
Mais uma denúncia atingiu o governador, nesta semana. Matéria publicada na Isto É aponta indícios de enriquecimento ilícito de membros da família de Agnelo. Segundo a reportagem, os sinais de enriquecimento teriam surgido em 2008, quando o atual governador era diretor da Anvisa, e vão até setembro deste ano. Ainda segundo a reportagem, a Procuradoria Geral da República investiga a denúncia.
Quem entrou nas denúncias de possível enriquecimento ilícito foi o deputado Fernando Franchiscini, que acusa Agnelo de beneficiar um casal de empresários do ramo da saúde quando era diretor da Anvisa. Em troca, os donos da companhia teriam vendido uma casa para o governador abaixo do valor de mercado e passado a familiares do petista quatro franquias na capital federal.
Documentos apresentados pelo deputado apontam que a servidora pública Juliana Roriz Suaiden Alves e Santos e o marido, o advogado Glauco Alves e Santos, donos da Saúde Import, venderam para o governador, em março de 2007, uma mansão no Lago Sul por R$ 400.000. O valor de mercado de casas nessa região, porém, é de pelo menos R$ 2 milhões. Em fevereiro de 2008, quatro meses após assumir a diretora da Anvisa, Agnelo Queiroz assinou pessoalmente o alvará de funcionamento da Saúde Import. No mês anterior, Glauco e Juliana haviam incluído uma das irmãs de Agnelo como sócia majoritária de uma franquia do restaurante Bon Grille, em Brasília. Em fevereiro, ela recebeu a metade de outra franquia. Segundo Francischini, Agnelo e seus familiares movimentaram cerca de R$ 10 milhões de forma suspeita nos últimos cinco anos.
“Oportunista”
O governador do DF, Agnelo Queiroz, porém, diz estar tranquilo com o fato, pois não vê irregularidades. O governo do DF divulgou nota rebatendo as acusações de Francischini. Segundo a nota, a manobra de Fernando Franchiscini é “oportunista, vinda de integrante de um partido envolvido no maior escândalo político do Distrito Federal, desvendado pela operação Caixa de Pandora”. Ainda segundo o texto divulgado pela assessoria de imprensa do governador do DF, “o deputado tenta criar conexão falsa, de irregularidades, entre fatos que ocorreram dentro da mais estrita legalidade. O governador Agnelo Queiroz repudia qualquer vinculação de favorecimento a qualquer empresa durante o período em que esteve na Anvisa. E a liberação específica que a referida empresa necessitava não era de competência da diretoria pela qual Agnelo Queiroz respondia.”
A defesa garante que todos da família do governador têm renda suficiente para justificar o patrimônio. O advogado negou ainda que os familiares de Agnelo estejam sendo investigados.
No mesmo dia em que a denúncia foi publicada, o jornalista Claudio Dantas, repórter da revista Isto É, autora da reportagem que denuncia o fato do enriquecimento ilícito, diz ter sido ameaçado pelo irmão de Agnelo Queiroz, Aiton Queiroz. De acordo com o repórter, Ailton foi agressivo, usando palavras de baixo calão, além de não responder às perguntas.
Fonte: Jornal da Comunidade
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