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Ministra da Cultura e presidente do Iphan devem visitar Goiás Velho hoje

Danos causam transtornos nas áreas urbana e rural, impedindo o escoamento da produção agrícola. Há 38 residências sob risco de desabamento

Goiás Velho — Ontem, os moradores da histórica cidade de Goiás acordaram apreensivos mais uma vez. Como na segunda-feira, o Rio Vermelho, que corta o município distante 300km de Brasília, subiu repentinamente e ameaçou construções centenárias localizadas às suas margens. À tarde, águas barrentas invadiram o porão da casa onde morou a poetisa Cora Coralina, hoje um museu, maior atração turística local. Funcionários removeram todo o acervo e deixaram os objetos em uma igreja. A chuva, que começou às 3h, não parou ao longo do dia, aumentando os danos.

De terça para quarta-feira, o número de imóveis antigos escorados por técnicos do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para evitar a queda subiu de seis para 38. “Certamente há mais casas precisando do apoio. A quantidade é tanta que não demos conta de visitar todas hoje (ontem). Convoquei todos os técnicos de Goiânia para ajudar o trabalho na cidade de Goiás”, contou a superintendente do Iphan no estado de Goiás, Salma Saddi.

Apesar de ser a única cidade goiana tombada como patrimônio da humanidade pela Unesco — há apenas oito no Brasil —, Goiás Velho, como é mais conhecida, conta com apenas um técnico do Iphan. Até ontem, havia recebido o reforço de quatro, incluindo a superintendente regional. Hoje, o número deve subir para 10 com a chegada da equipe de Goiânia.

Nesta quinta-feira também devem desembarcar no município distante cerca de 300km de Brasília a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida. Eles receberão o relatório sobre os danos causados pela chuva no centro histórico de Goiás Velho. Com base nesse levantamento, a ministra definirá quais ações emergenciais serão tomadas. O documento foi elaborado pela equipe do Iphan em Goiás Velho.

Por outro lado, a superintendente regional do Iphan em Goiás tenta convencer o prefeito de Goiás Velho, Joaquim Berquó (PPS), a tomar algumas medidas para evitar mais estragos. Ambos tiveram várias reuniões nos últimos dois dias, mas, até a noite de ontem, a prefeitura não havia realizado qualquer ação preventiva, como a retirada de galhos e de outros entulhos das margens do Rio Vermelho e das estruturas na ponte que contribuem para a retenção da água e o transbordamento. “Não temos dinheiro nem maquinário para realizar grandes obras. O mau tempo também não nos ajuda e ainda preciso resolver problemas na área rural”, ponderou o prefeito.

Prejuízo no campo
Chove há duas semanas na região e, na última segunda-feira, o Rio Vermelho transbordou, causando a interdição de três pontes e a perda total de dois casarões dos séculos 18 e 19. Um das pontes de madeira sobre o rio continua fechada ao trânsito, pois teve o alicerce danificado. Na zona rural, outras oito pontes, de madeira e de concreto, foram levadas por córregos e ribeirões. Além do trânsito dos moradores, os incidentes interromperam o escoamento da produção agrícola, principalmente a leiteira, uma das bases da economia de Goiás Velho.

As boas notícias são a ausência de vítimas e a conclusão das obras da ponte metálica que permitirá a travessia sobre o Rio das Pedras, na GO-070, em Itaberaí (GO). No entanto, para o tráfego no local ser liberado, falta a conclusão do nivelamento do solo, que irá ajustar a entrada e a saída da ponte com o nível da pista. O trabalho de nivelamento é feito pela Agência Goiana de Transportes e Obras. O trabalho deve ser concluído até amanhã, quando os veículos serão liberados.

Uma equipe do Exército, responsável pela instalação da ponte metálica, permanecerá em Itaberaí até a conclusão das obras da estrutura definitiva. A previsão é que a nova ponte da GO-070 fique pronta em seis meses. O local fica a 38km de Goiás Velho e é caminho para quem sai de Brasília com destino à cidade histórica. A ponte que existia na GO-070 foi levada em 4 de janeiro pela correnteza do Rio das Pedras, que transbordou devido às fortes chuvas.

Desde então, quem sai do DF tem duas opções para chegar aGoiás Velho: dar uma volta de 20km por estradas de terra, em Itaberaí, ou andar mais de 50km, passando por Goiânia, Trindade, Claudinápolis, Itauçu e Mossâmedes. Na primeira rota, a viagem pelo desvio pode durar mais de uma hora devido à grande quantidade de buracos e de lama que ainda podem causar a quebra ou o atolamento do veículo.

PARA SABER MAIS
Riqueza histórica
Fundada no século 18 pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, que lhe deu o nome de Vila Boa de Goiás, a cidade de Goiás foi próspera enquanto havia riqueza na área durante o ciclo do ouro. O município foi a capital do estado até meados de 1930.

Apesar da perda desse prestígio para Goiânia, distante 140km, Goiás Velho, como hoje é conhecida, manteve a arquitetura colonial de suas casas, muitas de pau a pique, ruas e nove igrejas. Entre as construções, destacam-se os museus de Arte Sacra e da Bandeira, prédio do século 18, no qual funcionaram a Câmara Estadual e a cadeia — que hoje guarda a história da intervenção bandeirante na região —, além do Palácio Conde dos Arcos, antiga residência do governador.

Na madrugada de 1º de janeiro de 2002, menos de um mês após receber o título de Patrimônio Histórico da Humanidade da Unesco, o município teve grande parte do centro histórico destruído pela chuva. Quarenta casas, duas pontes e várias ruas ficaram danificadas pelo grande volume de água que caiu durante seis horas.

 

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

 
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