Roller e Braga são chamados para depor
A movimentação na sede da Polícia Federal ontem foi intensa. Logo pela manhã, o ex-secretário da Fazenda de Goiás (Sefaz), Jorcelino Braga, foi o primeiro a chegar ao local. Ele e o ex-secretário de Segurança Pública e atual procurador-geral do município de Goiânia, Ernesto Roller, estão sendo investigados na condição de suspeitos pela possível prática de tráfico de influência, que resultaram nas promoções de patentes de integrantes da organização criminosa.
Braga chegou à sede da PF sozinho e teve de esperar mais de uma hora para ser chamado para depor. O ex-secretário se defendeu dizendo que não cabia à Sefaz promover as patentes de integrantes da corporação. “O órgão não era responsável pela promoção de patentes. Eu cuidava apenas da questão financeira do Estado”. O ex-secretário ainda acrescentou que era normal receber pedidos para a promoção de patentes, mas que, no entanto, as solicitações sempre eram encaminhadas ao órgão responsável.
“Todo mundo conhece as regras da corporação, como funciona essa questão. Não é algo simples e a Sefaz não tinha influência sobre o assunto”, esclareceu. Disse que ficou surpreendido com a intimação que recebeu da PF para depor. Ele ficou cerca de uma hora com os policiais federais explicando sobre promoções dos militares. Na saída, manteve o mesmo discurso de quando chegou e negou participação na escolha dos militares que subiam de patente, mesmo enquanto secretário da Fazenda.
Roller foi o último a chegar ao local para prestar depoimentos. Também sozinho, o procurador-geral disse que ficou surpreso ao ver seu nome envolvido na investigação, mas afirmou que “quem fala a verdade não merece castigo”. “Todo mundo sabe que a promoção de patentes passa por uma comissão. A lista era levada ao governador, na presença dos dirigentes da corporação. A escolha era de natureza técnica.”
O ex-secretário negou, por exemplo, que tenha participado da promoção do tenente-coronel da PM, Ricardo Rocha Batista, preso na manhã de ontem suspeito de ter participado da organização criminosa. Em setembro do ano passado, ainda com a patente de major, Batista era investigado pela Corregedoria por matar 15 pessoas em Goiás. Ainda assim em dezembro, ele foi promovido a tenente-coronel. “Não foi na minha gestão que houve essa promoção. Eu já tinha saído do cargo para me candidatar à eleição”, disse Roller.
O procurador-geral falou ainda que em sua gestão muitas prisões de policiais militares foram efetuadas e que estranha ver seu nome e o de Braga envolvido nas investigações. “É estranho, porque não descarto que estamos sendo alvos de massacre, daqueles que fizeram parte do governo passado”, afirmou na chegada. Depois de cerca de 45 minutos prestando esclarecimentos, Roller garantiu que ainda estava avaliando os acontecimentos, para confirmar se houve fim político ou não na operação.
De acordo com ele, as promoções dos militares, em sua época como secretário, ocorriam como sempre ocorreram, sem nenhum interesse escuso e valorizando o profissional em critérios objetivos. Ele também confirmou que conhecia o tenente-coronel Ricardo Rocha e inclusive o apoiou durante a campanha do militar a deputado estadual, nas últimas eleições. “Cheguei a subir em palanque junto com ele, mas não sabia de seu envolvimento em homicídios e nem participei de promoções a ele.”
Fonte: O Hoje/ Marina Dutra e Vandré Abreu
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