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Goiás “adotou” pena de morte


A violência institucional, dos policiais militares, é tão apavorante — porque mata-se por 500 reais e, mesmo, por nada (talvez por prazer?) — que a reportagem “Polícia matou 50 pessoas em 2010” (domingo, 20), do “Pop”, não saiu assinada.
Grave não é a falta de assinatura, que revela tão-somente medo — quem protege os repórteres? A lei? O que a Justiça pode fazer contra uma polícia descontrolada, ou melhor, controlada por gângsteres? —, e sim o fato de que a Polícia Militar goiana criou uma Constituinte, elaborou sua própria Constituição e instituiu a pena de morte. Goiás está funcionando como alguns Estados norte-americanos — que têm autonomia para criar suas leis, como a pena de morte. Detalhe: a PM, ao agir como Judiciário e carrasco, mata criminosos e inocentes. Mesmo criminosos, desde que não sejam mortos em conflitos verdadeiros (e não simulados), merecem julgamento justo, pois vivemos, e não apenas em tese, num país que aceita a hegemonia do Estado de Direito.
Felizmente, não é toda a Polícia Militar que está contaminada. Mas há indícios de alta contaminação entre oficiais dominantes. Insisto, porém, num ponto: a PM goiana, como em qualquer país do mundo, tem de ser dura contra criminosos. Só não tem de sair matando as pessoas. O trabalho de repressão é fundamental, mas apenas a repressão, sem um trabalho eficaz de inteligência e capacidade de diálogo, só funciona, quando funciona, circunstancialmente.
Fonte: Jornal Opção

 
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