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Rotam intimida OJC e PM troca comando do órgão

Oito viaturas do batalhão especial passaram na manhã de hoje, 3, na frente do prédio da empresa, onde funciona a redação de O Popular, em baixa velocidade e com sirenes ligadas apenas na quadra da empresa
OJC
Imagem do sistema de vídeo de segurança da OJC,
divulgada no site do jornal O Popular

Marcellus Araújo

Nesta quinta-feira, 3, pouco depois das 10 horas da manhã, oito viaturas da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitana (Rotam) passaram em frente o prédio da Organização Jaime Câmara (OJC), na rua Thomas Edson, onde fica a redação do jornal O Popular.

Segundo relatou a editora-chefe do jornal, jornalista Cileide Alves, através de seu perfil no Twitter, as viaturas passaram em frente ao prédio em baixa velocidade, com as sirenes ligadas apenas enquanto faziam o trecho próximo ao local e os policiais olhavam diretamente para a empresa.

Na capa da edição de hoje, o jornal publicou a reportagem “Mato por satisfação”, que contém informações do inquérito da Operação Sexto Mandamento, deflagrada pela Policia Federal de Goiás e que resultou na prisão de 19 policiais militares acusados de participarem de grupo de extermínio no Estado.

A operação é resultado de uma série de reportagens publicadas em O Popular, sobre o desaparecimento de civis após abordagens de policias militares.

Segundo o coronel Divino Alves de Oliveira, da Policia Militar de Goiás, "assim que o comando da PM soube do caso, entrou contato com a OJC na pessoa de Jackson Abraão, solicitando envio da gravação do sistema de monitoramento de segurança da empresa e reiterou que o comando da PM não coaduna com essa ação".

Todas as viaturas da Rotam foram recolhidas poucas horas depois ao quartel responsável, pois o fato foi amplamente repercutido no Twitter, por vários jornalistas e personalidades populares no microblog.

O coronel Alves explicou que o comando da PM solicitou relatório da localização de todas as viaturas da Rotam no horário em que foi divulgado o ato de intimidação.

Outra importante determinação foi a troca imediata do comando da Rotam. O tenente-coronel Carlos Henrique da Silva foi afastado do cargo no início desta tarde. Amanhã, 4, será substituído por Luiz Alberto Tardinha Bittes, que tem a mesma patente.

O govenador do Estado, Marconi Perillo (PSDB) concedeu entrevista aos veículos de comunicação da OJC posicionando se contra o ato dos policiais e garantindo segurança a instituições democráticas.

"A Corregedoria da PM vai instalar processo administrativo para apurar a motivação do ato", informou o coronel Alves.

Na rede

A maioria dos comentários que foram postados no Twitter citava a matéria publicada hoje em O Popular e questionava os policiais. O repórter do jornal, Bruno Rocha Lima (@brunorlima), questionou em sua página se a ação da Rotam não mostra que os militares estão incomodados com PF, que investiga a existência de um grupo de extermínio dentro da PM. “O gesto de membros da Rotam contra a OJC qr dizer q apoiam abertamente a existência de grupos de extermínio?”, indaga Bruno. Pelo teor das suas postagens de Bruno, o fato foi um estímulo para os repórteres produzirem mais material sobre a investigação. "Engraçado como após uma edição quente como a de hoje do Popular, a redação fica fervilhando. Equipe tá pilhada. E dá-lhe café!", completou.

Carla Borges (@carrlaborges), também repórter do Popular, disse no Twitter que o fato ocorrido hoje indica a existência de um grupo de extermínio na PM. “Essa tentativa de intimidação da Rotam só corrobora tudo o que a polícia aponta em suas investigações sobre extermínio e outras práticas”, afirmou Carla, que acredita que “tem gente graúda concordando” com a atitude da Rotam, em uma série de três comentários sobre o fato.

O professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica (PUC-GO), José Justino Porto (@justoporto) levanta dúvidas no Twitter sobre o fato. “E dai? Só isso. Pd ser alguma ocorrencia perto da Serrinha. É normal. Apenas uma coincidência”, em resposta a Cileide Alves. “algum polícia da Rotam entrou nas dependências da OJC? Ocorreram tiroteio nos arredores? Alguem foi abordado?S ñ o q ocorreu?”, indagou o professor a um de seus interlocutores. (José Cácio Júnior)

Fonte: Jornal Opção
 
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