Recuperação de Rodovias O start do governo Marconi

Euler de França Belém
Os tucanos Marconi Perillo, José Serra e Aécio Neves e os petistas Lula da Silva, Dilma Rousseff e Antônio Gomide são adversários políticos, mas são socialdemocratas e, como tais, desenvolvimentistas. Os economistas liberais, pelo menos os mais radicais, garantem que o crescimento econômico, por si, gera desenvolvimento. Eles apostam que os frutos do crescimento vão sendo distribuídos aos poucos — seguindo a lógica do livre-mercado. Os desenvolvimentistas, em geral incrustados em partidos socialdemocratas, como o PSDB e o PT, pensam de outro modo. Eles avaliam que, se o Estado não atua de forma parelha com a livre iniciativa, atraindo parte dos investimentos para o social, rearticulando a aplicação e a distribuição dos capitais, o desenvolvimento ficará em segundo plano. Os desenvolvimentistas afirmam que não basta crescer — é preciso distribuir os ganhos do crescimento no próprio processo de expansão. Não se deve esperar o bolo crescer — como sugeriu o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, no tempo da ditadura civil-militar — para depois reparti-lo. Porque, se cresce, mas o Estado mantém-se a distância, o bolo é repartido, sim, mas entre alguns poucos. Por isso, ao falar de obras estruturais na semana passada, Marconi frisou que vai investir maciçamente em saúde e em programas sociais. No governo petista da Bahia, que construiu o Hospital do Subúrbio em Salvador [leia mais na coluna Bastidores], atendendo pela SUS com qualidade de hospital particular, o tucano foi buscar inspiração para construir, brevemente, um hospital na região noroeste de Goiânia. A Bolsa Universitária será incrementada — assim como o programa assistencial Renda Cidadão, que terá reforçada sua porta de saída, com o objetivo de incluir seu beneficiário ao mercado e à sociedade. A partir de julho, o funcionalismo público receberá todo o salário integralmente. Outro passo importante do governo Marconi é a implantação da meritocracia — que deve colaborar para que o Estado ofereça serviços públicos de mais qualidade à sociedade. Na sexta-feira, 27, o governador anunciou o start de seu governo: o lançamento do Fundo de Transporte, que vai viabilizar duas ações de grande proporção — o Programa de Reconstrução de Rodovias Estaduais e o Programa Rodovida. Até a escolha do local para o lançamento, o Centro Cultural Oscar Niemeyer [leia box] foi emblemático.
Marconi decerto quis sugerir, ao anunciar obras estruturais num centro de cultura, que pretende fazer obras não pelas obras em si, e sim pelo que podem render ao Estado — crescimento econômico e desenvolvimento. Trata-se de uma visão integradora, que não percebe os investimentos de forma isolada. Em cinco meses de governo, se quisesse, poderia repetir a ladainha de outros governantes, como Alcides Rodrigues, que passam o tempo sem trabalhar, sem “distribuir” esperança, e a acusar o antecessor. O tucano prefere trabalhar. Mais empresas estão chegando para contribuir para a expansão econômica do Estado, mas, sem estrutura, fica complicado. A Suzuki, uma gigante japonesa, está se instalando em Itumbiara. Não o fez antes porque não havia, por assim dizer, segurança jurídica — o governo Alcides Rodrigues, apesar da manutenção do Produzir, programa de incentivos fiscais, não trabalhou para atrai-la (assim como não conseguir convencer o então presidente Lula da Silva a bancar a operação para “salvar” a Celg. Lula, a rigor, nunca se movimentou de fato para emprestar recursos à estatal goiana. Alcides, iludido, tentou iludir os goianos).

A mídia tende a perceber o anúncio como “mais obras” — mas a obra só esconde o projeto maior: o de globalizar o desenvolvimento do Estado, de atender a iniciativa privada e os cidadãos que precisam viajar em rodovias seguras. Por intermédio do Programa de Reconstrução de Rodovias Estaduais — que será bancado pelo Fundo de Transporte —, o governo vai reconstruir, num primeiro momento, 2.081,4 quilômetros. São 42 trechos de 28 rodovias — em todo o Estado. O governo não deve repetir o anterior — que era especialista, no máximo, em remendar estradas. O governo Marconi, pelo contrário, vai reconstruir as rodovias. Vai arrancar o piso antigo, totalmente desgastado, e colocar outra pavimentação. O objetivo é que as rodovias restauradas durem pelo menos 15 anos. Em 2012, o Estado vai recuperar mais 2 mil quilômetros. São 41 rodovias (e 55 trechos).
Paralelamente, o governo vai implantar o Rodovida. O objetivo é conservar as rodovias, fazer obras emergenciais e “reparos e execução de pontes e bueiros, sinalização e adequação de rodovias não pavimentadas”.
Para mostrar que não se trata apenas de papel e discurso, Marconi autorizou a primeira ordem de serviço. Em 180 dias, o governo planeja entregar a ponte de concreto sobre o Ribeirão Leite, no km 15 da rodovia GO-222.
Em quatro anos, o governo pretende investir R$ 1,2 bilhão “na manutenção, conservação e melhoria das rodovias estaduais”. Anualmente, o Fundo de Transporte terá R$ 300 milhões para investir. São recursos goianos. O governo de Dilma Rousseff não está contribuindo. Tucanos dizem que alguns oposicionistas apostaram que o governo, sem Dilma, não deslancharia. O programa de recuperação das estradas indica que Marconi não dormiu em berço esplêndido e está fazendo seu governo deslanchar, mesmo sem apoio federal.
O presidente da Agetop, Jayme Rincon, foi elogiado tanto pelo governador quanto por outros políticos. A senadora Lúcia Vânia disse que Jayme é uma grande auxiliar do governador Marconi. Ele será decisivo na operacionalização dos programas.
Centro cultural e turismo
A capital do Brasil, Brasília, tem 51 anos. Seu construtor, Juscelino Kubitschek, é lembrado sobretudo como exemplo de democrata irredutível. Serve de modelo tanto para o tucano Aécio Neves quanto para o petista Lula da Silva e seu entourage. Entretanto, para as pessoas em geral, no Brasil e no exterior, Brasília é obra do arquiteto Oscar Niemeyer — chegam a esquecer o notável arquiteto Lucio Costa. Ao construir o Centro Cultural Oscar Niemeyer, e ao nominá-lo com o nome do arquiteto, o governador Marconi Perillo deu duas tacadas certeiras.
Primeiro, o Centro Cultural Oscar Niemeyer, por conta do autor do projeto, tornou-se, mesmo antes de ser concluído, uma obra de referência arquitetônica para os moradores de Goiânia e para os turistas. Segundo, apesar da existência de teatros, a capital goiana, com mais de 1,2 milhão de habitantes — quase 2 milhões, se contarmos as populações das cidades próximas —, não tinha um centro cultural adequado, que reunisse espaço para música, biblioteca e museu. Terceiro, ao pôr o nome do arquiteto na obra, acabou por consagrá-la local e internacionalmente.
Na sexta-feira, 27, Marconi Perillo anunciou, no local, que seu governo vai concluir o Centro Cultural em 150 dias, a um custo de R$ 3,68 milhões. (E. F. B.)
Fonte: Jornal Opção
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