Lago sofre com o descarrego constante de lixo
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| Pneus retirados durante a operação de limpeza: desperdÃcio e agressão ao meio ambiente |
A Semana do Meio Ambiente começou ontem no Distrito Federal com um dado alarmante. Mergulhadores voluntários encontraram 15 pneus de diferentes tamanhos em uma área de apenas 600 m² às margens do Lago Paranoá. A varredura foi feita nas proximidades da Concha Acústica para marcar a abertura do evento, que segue até domingo com exposições, fóruns, atividades culturais, esportivas e concertos musicais. Mantida a proporção, seriam 950 mil pneus nas águas do maior lago do DF, que tem 38km² de área. O tempo de decomposição de um pneu é de 600 anos.
A atividade foi uma prévia simbólica do Clean Up Day. Os mergulhadores encontraram ainda latas, garrafas, sacos plásticos, madeira e uma nota de R$ 2. O mergulhador Magdo da Silva, 37 anos, que há duas décadas conhece a profundeza daquelas águas, diz estar acostumado a esse lixo. “Aqui a gente encontra automóveis, fogões, geladeiras e muito resto de obra de gente que não sabe onde despejar. Para mergulhadores, é um perigo. Tem resto de linha, anzol e redes enormes perdidas pelos pescadoresâ€, conta ele, que costuma levar estudantes para ajudar em atividades voluntárias de limpeza no Lago.
Os mergulhadores não são os únicos a sofrer com o descaso no local. “Na semana passada mesmo, um cara se feriu e teve que ir embora, não sei se para o hospitalâ€, lembra Bruno Ricardo de Souza, 21 anos, sobre um banhista que tentou entrar na água pela margem na Concha Acústica. O estudante, morador da Vila Planalto, considera o lago ideal para reflexão e para conversar com os amigos, mas lamenta a com falta de consciência da população e a pouca atenção do governo para torná-lo uma área de lazer apropriada.
Entulho
Ninguém conhece o lixo do Lago Paranoá como o autônomo José Tavares. Dono de um caminhão, no ano passado ele ficou dois meses retirando lixo da orla para o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), que atua nas margens apenas na época de seca, quando o nÃvel da água baixa. Ele percorreu da prainha do Lago Norte até o Mosteiro São Bento, no Lago Sul, com uma equipe de 15 pessoas. “Eram três ou quatro caminhões por dia, cheios de entulho. Esse lago é rico, mas o pessoal não dá valor, está faltando carinhoâ€, avalia.
“O lago já foi ao fundo do poço. Mas a qualidade da água hoje é excelente. A sociedade tem que lutar para preservá-loâ€, defende o superintendente de Recursos HÃdricos da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Fernando Starling. Ocupando o mesmo cargo, mas na Agência Reguladora de Ãguas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Diógenes Mortari atenta: “Isso piora com a chuva. Os detritos descem pelas galerias e chegam ao lago. Às vezes a pessoa joga algo no córrego de Vicente Pires que acaba sujando o lagoâ€.
Além do lixo, o belo espelho d’água de BrasÃlia sofre com assoreamento, quando a terra das margens e dos afluentes se desloca e faz diminuir a profundidade do lago. Um estudo feito em 2001 pela Universidade de BrasÃlia (UnB) estima que o equivalente a 213 campos de futebol foram perdidos desde a inauguração do Lago Paranoá, há mais de 50 anos. Além dos pescadores, que tiram dali o seu sustento, há quem lucre com que os outros jogaram fora ou perderam. É o caso de Magdo: “Já encontrei 18 óculos em um só mergulho. No Pontão (do Lago Sul), é celular, máquina, relógio e óculos à vontade. E tem um lugar onde a gente sempre acha dinheiro, mas aà eu não falo ondeâ€.
Para salvar as águas
O Clean Up Day ocorre todo o ano em vários paÃses, no terceiro sábado de setembro, quando é celebrado o Dia Mundial de Limpeza das Ãguas. Voluntários se reúnem para ajudar na manutenção e limpeza do meio ambiente. Em BrasÃlia, no ano passado, foram retirados 300 quilos de lixo somente nas proximidades da Ponte JK, por um grupo de 75 mergulhadores, entre profissionais e recreativos.
Fonte: Marco Prates/ Correio Braziliense
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