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Só união da sociedade e do Estado pode enfrentar crack

Participantes de debate no Senado dizem que o problema da droga só será resolvido com a participação da família e com a legalização das comunidades terapêuticas

 

Wellington Dias (2º à dir.), que preside a subcomissão, ouviu debatedores do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul

O Estado não tem condições de resolver sozinho o problema do crack no país. A participação da família e de comunidades terapêuticas é fundamental para a prevenção, tratamento e reinserção social dos dependentes. Essa é a avaliação de participantes de debate ontem na Subcomissão Temporária de Políticas Sociais sobre Dependentes Químicos de Álcool, Crack e outras Drogas.

Luiz Vicente da Cunha Pires, prefeito de Cachoeirinha (RS), primeira cidade a instituir uma comunidade terapêutica pública, informou que são gastos cerca de R$ 1 mil por mês para manter cada pessoa, um terço do valor para manter um presidiário, que, em sua opinião, dificilmente será recuperado e pode até se aprimorar no crime. 

O programa de recuperação de dependentes de drogas de Cachoeirinha, explicou o prefeito, envolve medidas de repressão, recuperação, prevenção e socialização.

Segundo ele, a prevenção é o aspecto mais importante. Luiz Pires disse ser necessário detectar os fatores que levam os jovens a experimentar drogas e, a partir das informações, estabelecer políticas.

Ele sugeriu a inibição de propaganda de bebidas alcoólicas, que, em sua opinião, estimula os jovens a consumir drogas. Investimento em esporte, escola em tempo integral, legalização de comunidades terapêuticas e aplicação de penas alternativas também estão entre as ações adotadas pela prefeitura.

O secretário de Defesa Social do Município de Vila Velha (ES), Ledir da Silva Porto, reforçou a importância das comunidades terapêuticas e informou que o município tem convênio com várias instituições. Para ele, o Estado deve oferecer a estrutura, porém, é necessária a atuação de pessoas solidárias e "com coração" para enfrentar o problema das drogas.

— Sem as comunidades terapêuticas, é impossível o governo fazer alguma coisa — avaliou Ledir Porto, ao afirmar que o Brasil não está preparado para enfrentar o problema do crack.

As ações adotadas em Vila Velha, informou o secretário, incluem o combate ao tráfico de drogas pelo Ministério Público, pela Justiça e Polícia Federal; eliminação de espaços usados para consumo de crack — as chamadas cracolândias — e acolhimento em instituição para tratamento do dependente. Ele disse que a prefeitura instalou câmeras para monitorar as ruas e flagrar os usuários e traficantes.

Fonte: Agência Senado

 
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