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Marconi na Europa Semeando para colher depois

Semeando para colher depois

Haja fôlego
Governador mantém agenda intensa em sua primeira viagem no atual mandato
Assessoria do governo
Governador Marconi Perillo com autoridade estrangeira na Europa: viagem produtiva

Afonso Lopes

Encontro com o embaixador do Brasil em Londres, reuniões com empresários na Rússia e na Inglaterra, até teleconferência em Dublin. Essa tem sido a rotina do governador Marconi Perillo em sua primeira viagem internacional após seu retorno ao comando do Palácio das Esmeraldas. Mas qual será o saldo dessa peregrinação? Inicialmente, sabe-se que surgirá em Quirinópolis a maior usina de etanol do planeta. Daí em diante é mais ou menos como faz um produtor rural, que prepara a terra, joga a semente e cuida da plantação até a hora da colheita. Ou seja, os resultados de ações dessa natureza não surgem imediatamente, mas ao longo do tempo.

É o caso de parcerias que poderão ser confirmadas no futuro. Duas delas são extremamente interessantes para o Estado: a dos presídios e a que pretende implantar o sistema de VLT, veículo leve sobre trilhos, na Avenida Anhanguera. Há alguma chance de essas ações irem em frente? Há, sim, mas não é coisa de varinha de condão com fada madrinha. Empresários só metem a mão no bolso depois de avaliarem os mínimos detalhes, e isso não é feito durante uma viagem. O que Marconi tem demonstrado aos empresários europeus é que existe um Estado no Brasil que está aberto para receber investimentos, e que tem um governo com esse tipo de vocação.

O embaixador do Brasil em Londres se impressionou com a disposição do governador goiano. Roberto Jaguaribe, em entrevista a jornalistas que acompanham a comitiva do governador, disse que gostou da animação de Marconi quando ele falou sobre as potencialidades de Goiás. E teria prometido que o Estado vai participar de uma feira sobre etanol. Ou seja, abriu-se uma clareira para negócios futuros.

Viagens

Os dois mandatos anteriores do governador Marconi Perillo foram pontuados por viagens à Europa, América, Ãsia e Ãfrica. Nesse período, Goiás viu suas vendas a países estrangeiros crescer dez vezes. Ao mesmo tempo, e apenas para ficar em um exemplo, um dos maiores grupos fabricantes de automóvel do mundo, o coreano Hyundai, instalou sua primeira fábrica no Brasil na cidade de Anápolis.

Coincidência? Obviamente, não. O mundo globalizado até pode gerar a sensação de visibilidade, mas o que ocorre é exatamente o contrário. Como existem milhões de opções, é necessário realizar alguma coisa a mais para ser lembrado. Mais ou menos como ocorre dentro do vastíssimo território da internet. Teoricamente, basta colocar alguma página no ar para que ela possa ser vista por milhões de usuários no mundo todo. Na prática, a coisa simplesmente não funciona dessa forma, e é imensa a possibilidade de o autor de um blog ou coisa do gênero ser visto por meia dúzia de amigos próximos. O mundo o ignora por nem saber que ele existe e por ter à mão zilhões de outros blogs.

No campo dos negócios mundiais há um pouco disso também. Uma visita de um governador à sede de uma multinacional que tenha interesse de investimento é muito mais importante do que espalhar panfletos mundo afora. Ficar dentro de palácios esperando que novos empreendimentos batam às portas do Estado é confiar em milagres. E não há milagre na economia.

Por outro lado, ao conhecer algumas soluções adotadas por outros países é sempre uma experiência importante. O VLT instalado em Dublin, por exemplo, pode ser visto na internet. Há sites que mostram fotos do sistema. Mas uma coisa é ver a foto. Outra, muito diferente, é conversar com aqueles que montaram e que operam as linhas. Mais do que isso, pode ser fundamental numa conversa dessas mostrar que em Goiânia existe um ramal, provavelmente o mais importante do centro-oeste brasileiro, o eixo Anhanguera, praticamente pronto para receber trilhos e trens. E que há disposição do governo local de ter um transporte como esse. Sem a viagem e a visita, como é que um empresário europeu descobriria o eixo Anhanguera como possibilidade de investimento? Provavelmente, nunca.

O mesmo ocorre com a penitenciária que poderá ser construída em Aparecida de Goiânia. Para Goiás, que não tem um único presídio com gestão privada, é uma baita novidade. Modernidade? Sem dúvida nenhuma. Esse sistema existe há anos em vários países e se destacou pela eficiência e custos relativamente mais baixos do que o modelo estatal. Em relação ao Estado de Goiás, será um salto de qualidade.

O que o governador Marconi Perillo tem procurado fazer em Londres ou em Moscou é vender uma boa imagem de Goiás lá fora. Não que isso possa mudar a realidade por aqui de um ano para o outro. É um trabalho de prazo mais longo, com alguns resultados imediatos e com inúmeras possibilidades no futuro. É bom que seja assim. Significa que há esperança de que Goiás continue crescendo acima da média nacional, e talvez consiga, um dia, permitir que os empregos sejam quase todos eles gerados na iniciativa privada, aliviando o peso que o Estado ainda tem.

Fonte: Jornal Opção

 
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