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Ao lado da presidente Dilma Rousseff , as mulheres deram o tom da festa

As mulheres compareceram em massa ao primeiro Dia da Independência conduzido por uma senhora à frente da presidência da República. E deram o tom da festa na Esplanada dos Ministérios. Aplaudiram, emocionaram-se, elogiaram e vaiaram quando bem entenderam. Acompanhadas — ou não — por filhos, maridos e parentes, elas não resistiram aos rapazes da cavalaria. O desfile deles pela avenida lotada tirou suspiros e gritos histéricos da multidão, além de palavras picantes e convites de alcova. Também não passaram impunes os que marcharam no asfalto, em motos e nos tanques de guerra. As calorosas demonstrações de afeto, combinadas ao sol escaldante do cerrado, só foram amenizadas com a chegada da esquadrilha da fumaça, que tirou o fôlego do povão.

“Eles estão passando tão pertinho. Quase dá para atirar uma pedraâ€, brincou Maria Augusta Alcântara, 83 anos, moradora de Ceilândia, que chegou por volta das 6h com toda a família: três filhos, cinco filhas e os 18 netos. “Viemos de ônibus até a Rodoviária do Plano Piloto e depois foi só caminhar até aqui, na arquibancadaâ€, contou. A conversa foi interrompida pela neta Eidilene, 18 anos, que não resistiu à chegada de um grupo fardado e gritava “lindo, lindo, lindoâ€. Foi logo acompanhada pela plateia de adolescentes. Já o irmão dela, Edemilson, 17, lançando um olhar de desprezo, falou: “É muito mais legal ver as motos, os tanques e os aviões. Têm nada a ver esses gritinhosâ€.

Quem estava mais próximo do palanque das autoridades tentava chamar a atenção da presidente Dilma Rousseff. “Dilma, eu te amoâ€, “Você é a maiorâ€, “O povo confia em vocêâ€, eram mensagens que surgiam na multidão sempre que havia um intervalo entre uma banda e outra. Até as Forças Armadas amenizaram as relações hierárquicas para fazer uma discreta homenagem à comandante do Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa, pela primeira vez na história do país, o contingente feminino ficou concentrado. As militares desfilaram destacadas dos colegas do sexo masculino. Até o ano passado, elas marchavam no meio do grupamento.

No batalhão da Polícia Militar, elas também assumiram posição de honra, comandaram a guarda e empunharam a bandeira. Na banda do Colégio Militar, uma menina, aluna tenente-coronel, substituiu o rapaz de maior posto (coronel) e foi à frente dos colegas. O público cantou os hinos Nacional e da Independência com emoção e alegria por várias vezes. O povo demonstrou grande respeito pelos veteranos da Segunda Guerra Mundial, pelos ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira e pela pirâmide humana de Brasília, com 21 componentes, que entrou para o livro dos recordes em 1997.

“Temos que homenageá-los (veteranos) muito antes que morramâ€, afirmou o padeiro Eclésio Armindo, 32 anos. Momentos depois, ele já estava animado e sambando ao som da bateria da Escola de Samba Aruc. Eram poucos os integrantes da agremiação, mas foram suficientes para animar a arquibancada. A novidade de levar o samba para os festejos do Dia da Pátria foi bem recebida. “Não entendo porque não tiveram essa ideia há mais tempoâ€, brincou Maria da Gloria, uma camelô que vendia chapéu. “Aí, moçada, vamos proteger a cabeça do solâ€, anunciava.

 

Fonte: Correio Braziliense/ Vera Batista

 
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