PSD Nem oposição nem situação Aprovado pelo TSE, novo partido entra na fase de filiação
Nem oposição nem situação
Aprovado pelo TSE na terça-feira (26), novo partido entra na fase de filiação. Importantes nomes começam a migrar para a legenda, atraídos pela possibilidade de construir a ideologia do recém-criado. Até cinco deputados distritais podem ingressar na nova sigla
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, na terça-feira (26), a criação do Partido Social Democrata (PSD). Desde então, foi dado início ao troca-troca de partido entre os parlamentares, inclusive, no DF. Antes mesmo da aprovação da criação do PSD, a deputada Eliana Pedrosa já havia anunciado que deixaria o DEM pela nova sigla.
Na última semana, novos nomes foram aparecendo. Celina Leão foi um deles. A distrital deixou o PMN e resolveu apostar no PSD. A saída do partido, presidido por Jaqueline Roriz, foi apenas o resultado final de um afastamento entre as duas “amigas”, iniciado após o escândalo envolvendo a filha de Joaquim Roriz, flagrada recebendo dinheiro do delator do mensalão, Durval Barbosa.
Quem também confirmou a ida para o PSD foi Washington Mesquita. Ele protocolou, na sexta-feira (30), o pedido de desfiliação do PSDB.
Foto: Gilda DinizPresidente regional do PSD, ex-governador Rogério Rosso, afirma que a bandeira principal será o crescimento sustentávelMas pelos próximos dias, outros distritais podem se filiar a nova legenda. Mesmo porque à lei determina que um partido recém-criado só pode receber filiações por 30 dias, sem risco de perder o mandato. Liliane Roriz (PRTB) pode ser uma delas. A parlamentar foi sondada pela Executiva Nacional do PSD, em conversas com integrantes como a senadora Kátia Abreu (TO). Mas, no cenário local, ainda não teve nenhuma conversa oficial com o presidente da legenda no DF, o ex-governador Rogério Rosso. “Liguei para parabeniza-lo pela aprovação do partido. Ele, inclusive, disse que precisávamos conversar, mas falei que esta não era a hora de falar sobre o assunto”, diz a deputada, que até o momento não sinalizou a ida para o PSD, apesar da insistência do pai, Joaquim Roriz, para que isso ocorra.
Liliane, porém, não confirmou a saída do seu atual partido. “O PRTB me dá muita mobilidade, não me incomoda como outros partidos têm incomodado quem saiu para o PSD”, diz a distrital. “Apesar de o meu pai querer muito que eu vá para o novo partido, disse a ele que essa é uma decisão que só cabe a mim”, finaliza.
Em conversas adiantadas com o PSD, o distrital Dr. Michel (PSL) também planeja mudar de partido. Conversas de bastidores também colocam Wellington Luiz (PSC) entre os cotados a fazer parte da sigla.
Em formação
Os distritais que já se filiaram ao PSD dizem ter sido atraídos pela possibilidade de participarem da construção desta nova legenda, que ainda não tem um conteúdo programático definido. O PSD diz apenas ser uma sigla independente que buscará defender os interesses da população do DF, fazendo com que a cidade cresça de forma sustentável.
“O PSD me atraiu porque está com uma proposta de participarmos do seu ideário. É uma coisa nova, uma experiência democrática. È excitante do ponto de vista da fervescência e isso traz motivação”, diz Eliana.
O PSD poderá dar à Eliana Pedrosa muito mais do que a possibilidade de participar da construção de um partido. Isso porque nas últimas eleições a distrital já sinalizou o desejo de sair em um cargo majoritário, mas esfriou, após a crise pela qual o DEM passou após o escândalo da Caixa de Pandora. Fazendo parte do PSD, as chances de a distrital sair candidata ao GDF em 2014 aumentam. “Essa decisão cabe às lideranças da legenda. Essa é uma questão a ser discutida com mais profundidade. Mas agora o momento não é disso, mas sim, de buscar filiações”, diz a deputada.
Celina Leão também partiu para o PSD em busca do novo. “Vou buscar um projeto diferente. Pode ser que isso venha a ser um erro ou um acerto, mas só o tempo vai dizer se essa mudança foi boa para mim. A gente precisa ter coragem e eu tive, de tentar algo novo”, diz a distrital.
Inicialmente cotado para ir ao PSD, Raad Massouh anunciaria sua decisão somente uma semana após a aprovação do novo partido. Mas parece ter mudado de ideia. Na sexta-feira (30), disse não ter motivos para fazer uma troca partidária. Mas dizem nos bastidores que, na verdade, os advogados de Raad o teriam aconselhado a não fazer qualquer movimentação partidária, pois isto poderia atrapalhar a sua defesa junto à Justiça Eleitoral, por ter sido cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Já que Raad voltou atrás, parece ter aberto uma porta para que outro deputado entrasse. Washington Mesquita anunciou sua partida na sexta-feira (30), em carta ao presidente do seu atual partido, o PSDB.
O recém-criado partido está, de fato, atraindo muita gente. E o motivo parece simples: um partido independente, que dará liberdade aos seus filiados. Apesar de ser esse o tom do discurso, principalmente no cenário local, o PSD nacional sinaliza apoio ao governo Dilma. No DF, porém, o partido já ganhou pelo menos duas figuras de oposição: Celina Leão e Eliana Pedrosa. Mas, segundo o presidente regional do partido, Rogério Rosso, o partido, tanto local quanto nacional, “não é de oposição nem de situação”. “Seus membros terão liberdade de voto, de opção, de credo. O partido é livre, plural, mas com a responsabilidade de sempre apoiar projetos e ações que sejam bons para a população”, diz Rosso.
Ele adianta, apenas, que está realizando reuniões com quem já faz parte do PSD e agora partirão a campo em busca não só de filiações, mas de um diálogo com a população do DF em busca de demandas para construir o ideário do partido. “A bandeira principal do partido vai ser, acima de tudo, a busca do crescimento sustentável do DF, da melhoria de vida contínua da população local. Para isso, queremos interagir com as pessoas, vamos estar na internet, nas redes sociais e fazer com que as pessoas participem de fóruns de discussões sobre diversos temas”, finaliza Rosso.
Uma das primeiras manifestações do trabalho do PSD, a nível nacional, foi a divulgação de um manifesto sugerindo a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, em 2014, para tratar da atualização da Constituição Federal.
Fonte: Jornal Coletivo/ Alline Martins
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