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Delegado pedirá pena máxima para professor que assassinou aluna

O assassinato da estudante de direito Suênia Sousa Farias, 24 anos, deve ser enviado à Justiça nos próximos dias. A previsão da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) é que o inquérito fique pronto amanhã. Depois que o professor Rendrik Vieira Rodrigues, 35, acabou preso em flagrante por matar a ex-aluna com três tiros, as equipes da unidade dão como praticamente encerrados os trabalhos. Na última sexta-feira, o acusado se apresentou na unidade policial, entregou o corpo da jovem e confessou tê-la matado (leia Entenda o caso). Ele responderá por homicídio duplamente qualificado (por motivo fútil e mediante a impossibilidade de defesa da vítima). O enterro da jovem aconteceu ontem no Cemitério de Taguatinga. E hoje as duas instuições onde Rendrik dava aula devem demiti-lo. Além disso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF vai instaurar um processo ético-disciplinar, que poderá resultar na suspensão do direito de Rendrik atuar como advogado. Existe a possibilidade de que mais depoimentos sejam colhidos. Até agora, os investigadores ouviram o acusado e a amiga de Suênia que a viu minutos antes da morte, além do marido e da irmã da estudante. O delegado Ulysses Campos Neto, que acompanhou o caso na madrugada de sexta-feira para sábado, afirmou que pretende finalizar o relatório policial até amanhã e encaminhá-lo à Justiça. “O inquérito ficou concluído no ato do flagrante. A finalidade dele (Rendrik) era matar. Ficou bem caracterizado o homicídio, a intenção. Ele relatou tudo e contribuiu para a investigação”, afirmou. Campos ressaltou ter 10 dias para elaborar o documento, a contar da data do crime. A tragédia começou a se concretizar quando Suênia rompeu com Rendrik e decidiu reatar o relacionamento com o marido, Hélio Prado. Inconformado com o fim do romance, o acusado ameaçava a estudante e, à polícia, afirmou ter comprado uma pistola calibre .380 há cerca de duas semanas como forma de se “defender”. Os familiares da vítima contaram que, nos últimos dias, os telefonemas agressivos se tornaram mais frequentes. Habeas corpus A pena que Rendrik terá de cumprir pelo homicídio varia entre 12 e 30 anos de prisão (leia O que diz a lei). O delegado Ulysses descartou o indiciamento dele por sequestro, por mais que ele tenha abordado Suênia quando ela saía do UniCeub, onde cursava o 7º semestre de direito. “A vítima foi conversar com ele (Rendrik) por vontade própria. A testemunha que estava com ela na hora disse isso. Dentro do carro, durante o trajeto, é que as coisas mudaram”, explicou. O laudo pericial do carro em que ocorreu o crime, o Sandero do marido de Suênia, deverá ser enviado mais tarde ao Judiciário. O professor conhece um dos delegados da 27ª DP e telefonou para ele assim que deu os três tiros, no peito e na cabeça da ex-aluna. O plantonista da unidade Jonas Maraca afirmou ontem ao Correio que Rendrik entrou em contato com o amigo policial e disse que precisava conversar. Ao entrar na delegacia do Recanto das Emas, o assassino comentou ter feito “uma besteira” e mostrou o corpo da jovem. Aos agentes, Rendrik teria dito que tomou calmantes para não se matar. A defesa do acusado não quis comentar o caso. Por enquanto, o assassino continua detido no Departamento de Polícia Especializada (DPE). O advogado dele, Andrew Farias, explicou que discutia as estratégias com os demais defensores no início da noite. Perguntado sobre a possibilidade de pedido de habeas corpus, Andrew afirmou estar em análise. “A gente está deliberando sobre o que será feito”, limitou-se a dizer. O assassino deve ser afastado das funções oficialmente hoje pelo UniCeub e pela Faculdade Projeção, onde ele era coordenador. Com medo das ameaças constantes do professor, Suênia teria alertado na última segunda-feira o reitor do UniCeub, Getúlio Américo Lopes. “Ela me disse que mostrou mensagens para o reitor e ele mandou registrar as ameaças porque só poderia fazer alguma coisa se tivesse um documento”, comentou Cilene Farias, uma das irmãs da vítima. A assessoria de imprensa do UniCeub informou não haver registro de que Suênia tenha entrado em contato com o reitor, uma vez que as pessoas interessadas em falar com ele passam por uma triagem. Também não há reclamação contra o educador na Ouvidoria e na coordenação da instituição. A assessoria ressaltou que o reitor negou ter tido qualquer conversa informal com a jovem. (Colaborou Mara Puljiz) Fonte: Correio Braziliense/ Lucas Toletino
 
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