Governo Marconi: R$ 80 milhões em obras e R$ 51 milhões em viagens e propaganda “Vou fazer o melhor governo da vida dos goianos” - o slogan da campanha do tucano parece ter ficado só no marketing: 10 meses depois, a gestão ‘revolucionária’ gastou muito e
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Há quase um ano, o governador Marconi Perillo (PSDB) confirmava seu favoritismo nas eleições de 2010 e garantia seu terceiro mandato à frente do Palácio das Esmeraldas. À época, o tucano novamente derrotou o peemedebista Iris Rezende e sua vitória no segundo turno ficou marcada por um slogan que alimentou as expectativas dos eleitores na reta final da disputa: “Vou fazer o melhor governo da vida dos goianos”. Porém, os dez meses de mais uma gestão Marconi sinaliza que a tão prometida ‘revolução’ na vida dos goianos era apenas marketing, um ofício que o governador ganhou a fama de fazer com maestria.
Os últimos números dos gastos do governo divulgados pela Controladoria Geral do Estado comprovam que Marconi ainda continua versado em torrar o dinheiro da vida dos goianos com publicidade. De acordo com o site Transparência Goiás (www.transparenciagoias.go.gov.br), em 2011 o tucano já desembolsou R$ 33,4 milhões com marketing até o final de setembro deste ano. O valor representa mais de um terço do montante investido pela gestão Marconi no período, apenas R$ 79,5 milhões. Se somar os gastos com publicidade da Celg, esse montante chega a quase R$ 37 milhões. Este ano a Companhia Energética de Goiás, que contabiliza R$ 7 bilhões em dívidas e uma grave situação financeira, gastou mais de três milhões de reais com publicidade. Nos dois primeiros trimestres de 2011, 605 mil reais, sendo 136 mil nos três primeiros meses e 469 mil reais nos três meses seguintes. Além dos gastos com publicidade, também espanta as despesas do governo Marconi com diárias e passagens. Até 30 de setembro, o tucano desembolsou mais de R$ 18,2 milhões com viagens ao interior de Goiás, fora do Estado e internacionais. A este tipo de missão, o Estado desembolsou mais de R$ 131.566,24 com passagens internacionais, valor bem acima do registrado nos três últimos anos do governo Alcides Rodrigues (R$ 83.319,44, em 2008; R$ 85.398,76, em 2009; e apenas R$ 40.105,59, no ano passado). Somado os gastos de publicidade e viagens do governo, sem contas as despesas da Celg, o governo desembolsou mais de R$ 51 milhões. Tal montante representa a construção de mais 500 mil metros quadrados asfalto em ruas das cidades, com pavimento de boa qualidade, galeria de água pluvial e meio-fio. O montante representa 1/6 do R$ 300 milhões prometidos pelo governo Marconi para investir nas rodovias estaduais, dentro do programa Rodovida, lançado com muita publicidade por Marconi no primeiro semestre. O programa será bancado com os recursos do Fundo de Transporte e foi constituído por meio do aumento do ICMS dos combustíveis. O Rodovida visa recuperar mais 4 mil quilômetros da malha rodoviária estadual, que nesta semana foi reprovada em pesquisa divulgada Confederação Nacional dos Transportes. O balanço das contas do governo foi apresentado e discutido esta semana na Assembleia Legislativa durante audiência com o secretário da Fazenda, Simão Cirineu. Segundo os dados, o governo alcançou receita de R$ 8,579 bilhões nos oito primeiros meses do ano. As despesas liquidadas foram de R$ 6,64 bilhões. Desta conta, está excluída a quitação de R$ 622 milhões de restos a pagar - liquidados pelo governo anterior, mas não pagos. Ao total, R$ 878 milhões ficaram de restos a pagar na virada do ano. Segundo auxiliares do governador, o Estado pagou este ano R$ 912 milhões da dívida externa (consolidada líquida), alcançando redução da relação com a receita corrente líquida. Em 1997, a relação dívida/receita era de 3,52. Este ano, foi de 1,13, enquanto que em 2010 foi de 1,37. A dívida é de cerca de R$ 13 bilhões. Além do pagamento da dívida e de restos a pagar, o governo comprometeu 78% de todas as despesas liquidadas com pagamento de pessoal e encargos sociais. Segundo o relatório da Controladoria Geral do Estado, Goiás recebeu apenas 45% do valor previsto de convênios com o governo federal. A queda dos repasses ocorreu devido ao não cumprimento de cinco das seis metas fiscais do Estado, o que zerou a capacidade de endividamento e comprometeu repasses por parte da União. Alertado por técnicos governo anterior, as metas fiscais não seriam cumpridas caso o acordo para salvar a Celg não fosse celebrado. Mais de R$ 700 milhões dos R$ 3,7 bilhões do empréstimo do governo federal destinados à empresa seriam para pagar as dívidas de ICMS da companhia com o Estado. O montante garantiria o governo fechar suas contas. No entanto, Marconi ameaçou não cumprir o acordo e questioná-lo na Justiça. As contas do Estado reforçam dois lados do lado governo Marconi. A prioridade em gastos com publicidade ressalta a crítica dos aliados de que a gestão do tucano, assim com as duas primeiras, só passa a existir para o cidadão na televisão. Já a queda nos investimentos e dos repasses dos recursos do governo federal – por conta do acordo da Celg ter sido frustrado – revelam que esta administração ainda não se despertou para efetivamente cumprir a principal promessa de campanha: “o melhor do governo da vida dos goianos”. Fonte: Jornal O Anapólis
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