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DEM pedirá impeachment de Agnelo Queiroz

Fernando Leite/Jornal Opção
Alberto Fraga, presidente do DEM, que quer impeachment de Agnelo: “Há algo de muito podre nessa história que precisa ser apurado”

O Democratas do Distrito Federal anunciou que vai entrar com pedido de im­peachment do governador Agnelo Queiroz (PT), na Câmara Legislativa. A decisão vai ao encontro da sugestão feita pelo senador Demós­tenes Torres (DEM), que considera que a executiva nacional do partido também deve se envolver no processo, dada a gravidade das denúncias contra o governador.

Segundo o presidente do DEM, Alberto Fraga, as explicações dadas por Agnelo Queiroz não convenceram ninguém e “viraram motivo de chacota em Brasília”.  O governo diz que as denúncias são feitas por uma quadrilha do crime organizado que Agnelo Queiroz derrotou nas urnas. “A velha prática do PT de se defender negando os fatos”, observa Fraga.  De acordo com o democrata, ninguém entendeu, por exemplo, porque Ana Maria Oliveira, a mulher de João Dias, o delator do esquema, pede ajuda para Agnelo quando o marido é preso. “O que mostra que Agnelo tinha uma amizade estreita com o policial.”

Fraga diz que vai entrar com o pedido de impedimento do governador como presidente do DEM ou como cidadão e espera que o pedido seja votado pelos parlamentares.  Na opinião de Fraga, a Câmara Distrital está de “cócoras para um governo carregado de corrupção”. O democrata compara o escândalo envolvendo Agnelo aos anteriores que abalaram Brasília. “Nem mesmo Joaquim Roriz esteve nas três revistas semanais em matérias de capa em uma mesma semana. Há algo de muito podre nessa história que precisa ser apurado.”

O pedido de impeachment de Agnelo Queiroz será feito com base em denúncias do suposto envolvimento de Agnelo Queiroz em um esquema de desvio de verbas no Mi­nistério do Esporte no período em que ele comandou a pasta. Alberto Fraga decidiu entrar com o pedido depois que a revista “IstoÉ” publicou depoimento gravado em vídeo por Geraldo Nascimento de An­drade, motorista que, por mais de quatro anos, serviu à rede de corrupção no Ministério do Esporte. Segundo o denunciante, a e rede foi iniciada por Agnelo Queiroz.

Tucanos querem afastamento do governador

“Repetindo Lula, nunca antes na história do Distrito Federal houve essa constância de denúncias tão graves.” A afirmação é do presidente em exercício do PSDB no DF, Raimundo Ribeiro. Denúncias que envolvem o governador Agnelo Queiroz (PT) e integrantes do governo, como o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, observa.  Brasília já está reagindo à crise, afirma o tucano. “Apesar da imprensa que está entorpecida pelas verbas publicitárias ignorar os fatos.”

Raimundo Ribeiro critica a Secretaria de Comunicação do GDF, que acusa a Polícia Civil do DF para defender Agnelo Queiroz. “Toda vez que surge alguma denúncia, o governador corre para desqualificar o acusador”, alega.

Após o vazamento de gravações feitas em 2010 pela Polícia Civil do DF, que comprovam a ligação do governador Agnelo Queiroz com João Dias, 43 delegados-chefes e 7 diretores da corporação foram exonerados. A chefe da PC, Mailine Alva-renga, também foi demitida.

De acordo com Raimundo Ribeiro, o PSDB pede o afastamento do governador para que as investigações sobre as acusações do programa Segundo Tempo sejam isentas. Ele diz que o partido não pode pedir o impeachment do governador. “Há um questionamento jurídico sobre a legitimidade de partidos políticos entrarem com pedido de impeachment e não queremos criar factoides como o PT sempre fez”, explica.  Mas os tucanos vão apoiar qualquer pedido de impedimento impetrado por pessoas ou órgãos competentes. “Dois advogados de Brasília já anunciaram que vão entrar com o pedido e nós iremos apoiá-los publicamente.”

Novas denúncias podem levar àinstalação da CPI do Segundo Tempo

A deputada Celina Leão (PSD) acredita que os novos fatos sobre a denúncia de corrupção no Ministério do Esporte envolvendo o governador Agnelo Queiroz vão obrigar os deputados distritais a assinar a CPI do Segundo Tempo.  Até agora, a deputada conseguiu quatro assinaturas, além da dela: Eliana Pedrosa (PSD), Liliane Roriz (PSD), Rôney Nemer (PMDB) e Wellington Luiz (PSC).  São necessárias oito assinaturas para a instauração da CPI. “Se o governo coloca em xeque a Polícia Civil e denuncia a formação de milícias, isso precisa ser investigado.”

Na opinião de Celina Leão, os deputados estão sendo constrangidos por amigos e parentes a assinar a CPI. “Não se trata de ser da base ou não do governo, mas a favor de Brasília.” Na opinião da deputada, o fato de João Dias ter recorrido ao governador ao ser preso é um forte indicativo de chantagem.

A deputada afirma que o pedido de impeachment do Demo-cratas vai encontrar um clima favorável na Câmara Distrital, “se continuar da forma que está”. Ela não acredita que os parlamentares vão colocar em risco a carreira para proteger o governo.  “Dizem que o governador não tem oposição no Distrito Federal, mas a oposição está nas ruas. O governo tem apenas 10% de aprovação.”

É provável que Washington Mesquita (PSD), Raad Massouh (DEM) e Aylton Gomes (PR), que pertencem a partidos mais independentes e de oposição, possam vir a assinar a CPI. O que impede são os cargos que têm no governo.

“O ‘capo’ não é Orlando Silva”

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) aguarda a aprovação do requerimento que apresentou na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara para ouvir o governador Agnelo Queiroz (PT) sobre as suspeitas de irregularidades no Ministério do Esporte. O deputado diz que há suspeita de que o governador tenha se beneficiado do esquema e ajudado o policial militar João Dias, delator do suposto esquema no Esporte, a fraudar provas para se defender das denúncias de desvio de recursos.

Segundo ele, os depoimentos e as gravações telefônicas que estão na Justiça indicam que o petista é o grande operador desse esquema. “O capo não é o Orlando Silva, o capo é o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. É esse o homem”, disse Francischini. Em nota, a Secretaria de Comunicação do Governo do DF informou que “Agnelo Queiroz recorrerá à Justiça para responsabilizar os que usam de falsas informações para atingir sua conduta pública”.

Governistas não querem investigação

A crise no Distrito Federal remete à necessidade urgente da reforma política, que tramita há anos no Congresso Nacional.

Mesmo diante de tantas denúncias envolvendo Agnelo Queiroz (PT), os parlamentares do Distrito Federal se negam a investigar o governador. Isso porque Agnelo tem quase unanimidade no parlamento – dos 25 deputados apenas Liliane Roriz (PSD) e Celina Leão (PSD) fazem oposição.

Os deputados ignoram que o governador é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por desvios de dinheiro federal do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, e alvo de um inquérito na primeira instância da Justiça Federal em que aparece como suspeito de fraudar notas fiscais para justificar os desvios de dinheiro.

Ao invés de investigar o que está por trás das denúncias, 19 dos 25 deputados assinaram nota de apoio a Agnelo.  Os parlamentares divulgaram uma nota à população demonstrando total apoio ao governador.

Na nota, eles afirmam que o governador saiu do Ministério do Esporte no início de 2006 e que todas as contas de Agnelo “foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União” e rebatem que “a verdade é que, desde a campanha eleitoral de 2010, vem sendo orquestrada uma campanha sórdida, fantasiosa e chantagista para desacreditar e desestabilizar o Governo, trazendo intranquilidade política ao DF”.

Fonte: Jornal Opção /  Andréia Bahia

 
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