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Cristovam e Viana analisam prisão de narcotraficante no Rio

Sociedade 

Cristovam Buarque (E) e Jorge Viana falam da prisão de traficante da Rocinha

Para Jorge Viana, país deve apoiar luta contra o crime. Na opinião de Cristovam Buarque, não se deve confundir honestidade com heroísmo. 


É triste que país veja honesto como herói, diz Cristovam

Senador se referiu ao caso do policial que recusou suborno para libertar traficante do Rio; parlamentar pediu que ações de segurança não acabem após Copa e Olimpíadas

 

Senador diz que fazendeiro que alforriou escravos também foi visto como herói

Cristovam Buarque (PDT-DF) disse ser motivo de tristeza o fato de, no Brasil, a honestidade ser considerada ato de heroísmo. Ele se referia ao policial militar do Rio que, ao deter o narcotraficante Nem, rejeitou um suposto suborno de R$ 1 milhão para liberá-lo.

— Hoje é um dia de homenagem a quem fez esse gesto [o policial]. Mas também é um dia de muita tristeza, por sermos um país onde o honesto é um herói — disse Cristovam.

De acordo com o senador, esse desvirtuamento vem de muito tempo atrás. Ele citou a escravidão no Brasil, que durou quase quatro séculos.

— Aquilo era corrupção, mas naquela época as pessoas não percebiam que ter escravos era corrupção. E, depois, foram tidos como heróis da ética os fazendeiros que alforriaram seus escravos.

Outras formas de corrupção, segundo Cristovam, são a falta de escolas de qualidade para os filhos dos pobres e um sistema de saúde degradado para a maioria da população.

— Isso é ou não é uma corrupção? Mas é uma corrupção natural, aceita, comum, até invisível.

Para o senador, a questão está relacionada com o arraigado "patrimonialismo" no país — a tendência a privatizar tudo o que deveria ser coletivo e social. Ele afirmou que o patrimônio coletivo da nação virou objeto da cobiça e da apropriação de determinados grupos. 

De acordo com Cristovam, o país se encontra hoje dividido entre os "céticos" e os "cínicos". Esse último é o grupo dos que consideram normais teses como a do "rouba, mas faz", a do "rouba, mas é dos nossos" e a do "todos roubam, por que é que não vou roubar também?". 

Cristovam também questionou se o combate ao tráfico de drogas no Rio continuará depois da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Ele teme que as ações sejam apenas "para inglês ver", isso é, que estejam em curso apenas para atender às exigências dos dois eventos.

   Fonte: Agência Senado

 
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